6 de abril de 2010

Despedida.

« Podemos demorar muitos anos até conseguir passar por cima das coisas sem mágoa. Primeiro vem o esforço, depois o falso esquecimento. Seguem-se o rancor, a revolta, a sensação de impotência. Tantas vezes nos atiramos para os braços de outro homem, pensando que esse é o caminho mais curto para esquecer alguém, e tantas vezes esse é o caminho que se revela mais longo! Durante todos estes anos eu ouvia a minha música preferida dos Beatles e associava-a sempre a nós: the long and winding road / that leads to your door / will never disappear / I’ve seen that road before / it always leads me here / leads me to your door.
Trauteava a letra vezes sem conta e pensava na minha história contigo. Até que um dia, de regresso a casa ao volante do meu carro pela estrada da Marginal, a apanhei por acaso na rádio e nem sequer me lembrei de nós. Talvez tenha sido esse o dia em que te esqueci.
Há mesmo um dia, meu querido, em que chega a liberdade, dia D do coração. Nunca é quando queremos, apenas e só quando estamos preparados. E para nos prepararmos é preciso querer. Quantas e quantas vezes as pessoas usam o verbo conseguir de forma errada! Quando eu dizia que não te conseguia esquecer, a verdade é que não queria esquecer-te. Tu alimentas-te a minha inspiração durante demasiado tempo e nada é mais difícil de uma pessoa se libertar do que de um hábito que lhe traz benefícios.
Querer e conseguir não são o mesmo; só consegues quando queres, o contrário não é possível. Escrevo para me ler e para me ouvir, porque também preciso das minhas palavras. Preciso que elas me alimentem sem que ao mesmo tempo me matem. Palavras de alento e de esperança, agora com os pés na terra, em vez de voar como um pássaro atrás de quimeras. Quantas vezes os oásis mais desejados não passam de miragens!
O amor é outra coisa. Constrói-se do chão, levantando pedra atrás de pedra, como se de penas se tratasse. Sem medo, com calma, sem esforço, apenas com vontade. Dando espaço e tempo, dando a mão. O amor é um caminho a dois. Caminante no hay camino, el camino se hace al andar. E a grandeza de um homem está em ser uma ponte, não uma meta, e ninguém consegue construir uma ponte sozinho.
O amor é uma construção. Não sei se algum dia saberás o que é. Eu estou a aprender. Aprendi muito nesse ultimo ano em que descobri que era mais feliz se vivesse o amor plenamente.
Deseja-me boa sorte, porque a quero e mereço. E a ti, desejo-te a paz possível de uma existência subtraída, e o desejo de que um dia encontres o teu fio de Ariadne que te conduza à saída do labirinto. A gratidão não é mais do que a alegria de tudo o que existe ou existiu, por oposto à angustia, que é a tristeza por tudo o que não existe ou nunca existiu. Espero que a gratidão te guie e te ilumine com a mesma força com que me tem conduzido.
Não guardes esta carta no teu coração, ela não te pertence. Pertence a todas as mulheres que aprenderam a deixar de sofrer por amor e conseguiram seguir o seu caminho, encontrando a saída, ou uma das saídas do labirinto. Não penses que deixaram de amar; apenas aprenderam a amar de outra forma, bem mais bela, por ser a real.
Esta carta, que é também uma despedida do meu antigo modo de viver, é acima de tudo uma carta para mim própria.
Envia-a a alguém que precise de uma chave para sair do seu próprio labirinto, uma vez que não a podes usar para ti. A tua chave está dentro de ti, ninguém tem o poder de ta entregar. Descobre-a e usa-a para encontrares o teu próprio caminho. Afinal, não é o que todos tentamos fazer ? » , Margarida Rebelo Pinto.

E ainda mais incrível é a forma como me relaciono com cada uma das palavras que diz nestas ultimas folhas do seu livro, talvez seja mesmo assim, talvez a culpada seja eu de não querer esquecer-te e pensando então que não te consigo esquecer, realmente uma coisa é distinta da outra, mas também se o querer não é sufeciente, a culpa não é somente minha mas sim do meu coração porque lá no fundo ainda acredito no nosso amor da forma mais pura que existe, sabes? Mas pronto sei que daqui não sairá mais nada a não ser dor, dor por não te ter comigo da forma que eu mais desejaria, mas tenho que me contentar com o pouco que me deste porque apesar de tudo eu ainda me sinto tua por dentro e por fora, impressionante não é? Mesmo que os tempos mudem, que os dias sejam mais chuvosos, as tardes as mais belas possiveis, que venham muitos amores nunca nenhum é tão intenso que consiga apagar aquilo que passamos, as memórias continuam cá bem presentes e querem constantemente voltar ao sonho real e se dependesse isso só de mim... E como é prometido, nunca te vou deixar, porque ao contrário de ti eu ainda cumpro aquilo que prometo, não por mim nem por ti, mas por aquilo que um dia fomos mesmo que os dias pareçam mais cinzentos, por muito que eu desapareça da tua vida por breves momentos, estarei sempre em contacto contigo, do outro lado, do lado do coração, do lado da vida que tu desconheces mas eu conheço porque desde que foste embora eu conheci esse lado da vida, a vida em que não te tenho do meu lado e as lágrimas todas as noites tomam conta dos meus olhos, as loucuras são cometidas e mesmo assim quase te implorando uma simples mensagem, a resposta do outro lado é nula, é como se agora fosses insensivel ao ponto de não quereres saber de mim, de como estou ou do que eu sinto. Era como se para ti fosse invisivel, uma pastilha sem sabor que tu usas e abusas quando queres, e depois deitas fora sem piedade, até tu mesmo já o admitis-te.
E ainda dizias tu que te lembravas de tudo o que passamos até então? Até nisso eu já tenho dúvidas e foi por isso, meu amor, que decidi parar de te provar o amor louco que tenho por ti, já não adianta porque sei que nunca darás o valor que deverias dar, por isso só me resta desejar-te a maior felicidade do mundo e um último amo-te, outro amo-te e mais uma vez amo-te.

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